Poucos designers conseguiram transformar um processo têxtil em linguagem estética com tanta maestria quanto Issey Miyake. À frente de uma moda que nunca se interessou por modismos, o japonês revolucionou o guarda-roupa contemporâneo com suas pregas permanentes, esculturas de tecido que dobram, expandem e se movem com o corpo.
Criada oficialmente em 1993, a linha “Pleats Please Issey Miyake” continua sendo uma aula de forma, função e leveza três décadas depois, redefinindo o que significa vestir-se com liberdade. Mas, por trás dessa simplicidade aparente, existe uma história complexa e visionária, que entrelaça tecnologia, dança, sustentabilidade, e claro, muito design.
Este artigo mergulha na mente de um dos maiores inovadores da moda para desvendar a história por trás do seu icônico plissado. Confira a seguir!
Quem foi Issey Miyake?
Issey Miyake foi um estilista visionário, artista e engenheiro têxtil. Nascido em Hiroshima, Japão, em 1938, ele sobreviveu ao bombardeio atômico, uma experiência que moldou sua perspectiva de vida e seu trabalho. Após estudar design gráfico, ele se mudou para Paris nos anos 60, onde trabalhou com grandes nomes como Guy Laroche e Hubert de Givenchy.
Inspirado pelas revoltas estudantis de 1968 na França, Miyake rejeitou o elitismo da alta-costura. Ele se comprometeu com uma moda acessível, funcional e alegre, que fosse “tão universal quanto jeans e camisetas”. Sua visão era criar roupas que fossem uma segunda pele, que se adaptassem ao corpo e não o aprisionassem.
Ele via a roupa não apenas como uma vestimenta, mas como uma forma de arte que se movia e se transformava com o corpo, oferecendo liberdade total para o usuário. Sua importância reside exatamente nessa filosofia: a moda deveria servir as pessoas, e não o contrário.
O que é um tecido plissado?
O tecido plissado é um material que foi dobrado de maneira repetitiva e intencional para criar vincos permanentes. Esses vincos dão ao tecido uma textura tridimensional e um movimento fluido, que se expande e se contrai com o movimento.
O plissado pode ter pregas estreitas ou largas, em direções variadas, criando efeitos visuais únicos. A técnica de plissar o tecido é milenar, mas, por muito tempo, foi um processo delicado e de difícil manutenção.
Como o plissado era usado antes de Miyake?
Antes da intervenção revolucionária de Miyake, o plissado era um processo artesanal e trabalhoso. A técnica tradicional consistia em dobrar e pregar o tecido, fixando as pregas com calor ou vapor. No entanto, o método mais comum era plissar o tecido em pedaços grandes, antes de cortar e costurar a peça final. Isso tornava as pregas vulneráveis à desintegração com a lavagem ou o uso.
O resultado era uma roupa que demandava cuidados especiais, como limpeza a seco, e que perdia sua forma com facilidade, limitando seu uso a peças de gala e ocasiões especiais. O plissado era sinônimo de fragilidade e pouca funcionalidade.
Como Issey Miyake reinventou o plissado?
A inovação de Miyake reside em um processo que inverteu a lógica tradicional. Ele e sua equipe, liderada pela especialista têxtil Makiko Minagawa, criaram um processo chamado “garment pleating”. Diferente do método convencional, onde o plissado era feito no tecido plano antes da confecção, Miyake fazia o oposto.
Primeiro, as roupas eram cortadas e costuradas em um tecido que era três vezes maior que o tamanho final da peça. Em seguida, essas roupas eram dobradas manualmente em um maquinário especializado, presas entre folhas de papel e submetidas a um calor intenso. O calor fixava as pregas de forma permanente no tecido.
O material escolhido para essa revolução foi o poliéster, um tecido sintético de alta qualidade que, ao ser fundido com ingredientes antiestáticos diretamente em seus chips antes da fiação, eliminava o incômodo da eletricidade estática, comum em malhas sintéticas. O resultado foi um tecido com caimento impecável, capaz de resistir ao uso intenso sem perder forma.
A tecnologia permitiu a criação de roupas que combinavam forma e função, que podiam ser lavadas na máquina, enroladas na mala e vestidas diretamente de um avião para uma reunião ou evento, sem a necessidade de passar.
Como surgiu a linha Pleats Please Issey Miyake?
O nascimento do plissado revolucionário de Miyake começou em 1988, não como uma ideia de moda, mas como um ponto de virada criativa. Após uma retrospectiva no Musée des Arts Décoratifs, em Paris, Miyake sentia que já tinha explorado tudo o que podia na moda. Foi ao se deparar com um lenço plissado em poliéster-seda que ele enxergou um novo caminho, não só de forma, mas de função.
Os primeiros experimentos com plissados foram feitos para os figurinos do Frankfurt Ballet. Ao ver os dançarinos ganharem liberdade e prazer de movimento com as peças, Miyake entendeu que havia ali algo maior. Em 1993, nascia oficialmente a linha “Pleats Please Issey Miyake”, um marco que combinava moda, tecnologia, arte e o cotidiano. Era a concretização de uma filosofia: a roupa deveria ser uma extensão do corpo, não uma restrição.
Por que a linha Pleats Please Issey Miyake se tornou icônica?
A linha se tornou um ícone global por diversas razões, que vão além de sua estética visualmente impactante:
- Funcionalidade e praticidade: diferente da alta-costura, as roupas da Pleats Please não exigiam cuidados especiais. Elas são leves, resistentes, não amassam, podem ser lavadas em casa e secam rapidamente. Essa praticidade democratizou o design, levando a alta moda para o guarda-roupa do dia a dia;
- Versatilidade e atemporalidade: a simplicidade sofisticada das peças as torna atemporais. Elas não seguem tendências passageiras, mas se tornaram um clássico que se adapta a diferentes estações e ocasiões. A linha também ganhou novas formas e públicos, incluindo a linha “Homme Plissé Issey Miyake”, lançada em 2013, atraindo homens que buscavam a mesma liberdade e estilo;
- Liberdade de movimento: a tecnologia do plissado de Miyake permite que as peças se expandam e se contraiam com o corpo, adaptando-se a diferentes silhuetas e movimentos. Elas não limitam, mas celebram a forma humana, oferecendo conforto e leveza inigualáveis;
- O Manifesto da Moda Democrática: a linha traduziu a visão de Miyake de uma moda acessível e funcional, para todos. As roupas se tornaram uma espécie de uniforme universal para criativos, artistas e intelectuais, de Tóquio a Nova York. Como o próprio criador declarou: “Pleats Please é o que considero minha contribuição mais valiosa ao design.”
Quais são os impactos do plissado de Issey Miyake na história da moda?
O plissado de Issey Miyake marcou a moda ao unir tecnologia e design, antecipar a sustentabilidade como valor central e tornar a moda acessível e funcional. Esses pilares formam um legado que transformou a forma como a indústria e o público enxergam o vestuário. A seguir, detalhamos cada um desses impactos:
Impacto 1: A união entre tecnologia e design
Miyake foi um dos primeiros a demonstrar que a tecnologia não era inimiga da criatividade, mas sim uma ferramenta para expandir os limites do design. Ele e sua equipe uniram-se a gigantes japoneses da inovação têxtil, como a Toray e a Seiren, para desenvolver materiais e processos inéditos.
A invenção do “garment pleating” e do poliéster com propriedades antiestáticas mostrou que a moda pode ser um campo de engenharia e ciência, além de arte, inspirando uma geração de designers a explorar o potencial das novas tecnologias.
Impacto 2: A vanguarda da sustentabilidade
Décadas antes da sustentabilidade se tornar uma palavra de ordem, Miyake já pensava em circularidade. No início dos anos 90, um sistema de devolução nas lojas foi implementado, e em 2012, um novo projeto passou a transformar peças devolvidas em energia.
Sua abordagem era intrinsecamente sustentável, priorizando a durabilidade, a atemporalidade e a funcionalidade sobre o consumo rápido e o descarte. Ele mostrou que a moda pode ser duradoura, prática e circular, um conceito que hoje é central para o futuro da indústria.
Impacto 3: Moda acessível e funcional
O manifesto de Miyake, que buscava criar uma moda “tão universal quanto jeans e camisetas”, revolucionou a forma como as pessoas enxergavam o luxo. Ele provou que o design de vanguarda não precisava ser impraticável ou elitista.
Suas peças de alta tecnologia e com design impecável podiam ser lavadas na máquina e usadas no dia a dia, tornando a moda de alta qualidade acessível a um público mais amplo e funcional para a vida moderna. Ele quebrou a barreira entre a moda de passarela e o guarda-roupa cotidiano.
O plissado ainda está em alta?
O legado de Issey Miyake é tão forte que o plissado, em suas mais diversas formas, continua a ser uma tendência onipresente na moda atual. Ele aparece em coleções de alta-costura, no prêt-à-porter (pronto para vestir) e nas ruas, em saias, calças, blusas e vestidos. A praticidade e a beleza do plissado, popularizadas por Miyake, garantem seu lugar como um clássico moderno.
Sua estética atemporal continua a influenciar designers que buscam inovar em forma, textura e movimento, garantindo que o plissado seja não apenas uma tendência, mas um elemento fundamental no vocabulário do design contemporâneo.
Conclusão
Issey Miyake foi um verdadeiro revolucionário. Ele não apenas criou roupas, ele criou um sistema de pensamento sobre a moda que unia a arte com a ciência, a tradição com a inovação e o luxo com a praticidade. Seu trabalho com o plissado, em especial na linha Pleats Please, se tornou um símbolo de liberdade, funcionalidade e elegância atemporal.
Ao vestir uma peça de Miyake, não se está apenas usando uma roupa; está-se celebrando a liberdade de movimento, a engenhosidade do design e a visão de um artista que acreditava que a moda deveria ser para todos. A Majesté, inspirada por essa visão de moda que celebra o design e a funcionalidade, convida você a encontrar o seu estilo único em roupas e vestidos de festa para eventos especiais e ocasiões casuais.
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